A figura do tabelião se faz presente desde os tempos mais remotos da sociedade, andando juntamente com a civilização humana e desempenhando um papel imprescindível nas relações negociais dos homens.

Na Babilônia, 2.000 anos antes de Cristo, foi lapidado em uma pedra o código de Hammurabi, dando origem aos contratos e testamento. É também sabido que desde as civilizações dos hebreus, egípcios, gregos e romanos existiram normas com a finalidade de cumprir funções bem próximas das atribuídas atualmente ao notariado.
Para o povo egípcio existiu os escribas, que atendiam e anotavam todas as atividades privadas, bem como redigiam todos os atos jurídicos para o monarca. Era uma atividade de fé pública.

No início de Roma imperava a boa-fé e a lei natural, onde a palavra dos cidadãos faziam fé em juízo. Com o crescimento das cidades houve necessidade de se regulamentar as relações, surgindo os notarii, tabelliones, argentarii e os tabularii.*

Os tabeliães surgiram na antiguidade, como escribas. O rei decidia dar uma fazenda à alguém que foi bem na guerra. O tabelião era chamado para documentar a transação, porque ninguém escrevia. Ele certificava, com a sua fé-pública, que o rei deu o terreno e a pessoa aceitou. A evolução da atividade ao longo da Idade Moderna e da Idade Contemporânea é no sentido de fornecer segurança jurídica e proteção aos direitos do consumidor. Hoje, escrever não é mais um problema, mas nem todo mundo sabe sobre Direito. O tabelião tem esse dever. Ele vai zelar para que as escrituras não tenham cláusulas ilícitas, por exemplo.

* “Os notarii costumavam escrever com notas que consistiam nas iniciais das palavras ou em abreviaturas, de significado difundido na praxe. [...] os tabeliones remonta o verdadeiro precursor do notário moderno - eram encarregados de lavrar, a pedido das partes, os contratos, testamentos e convênios entre particulares [...] os argentarii eram
espécies de banqueiros, que conseguiam dinheiro por empréstimo para particulares, elaborando o contrato mutuo e registrando em livro próprio o nome e cognome do devedor [...] e os tabularii que eram empregados fiscais”. (BRANDELLI, Leonardo. Teoria geral do direito notarial, 1998)


Para que os cartórios no Brasil?
Por força da Constituição Federal, os cartórios prestam serviços delegados pelo Poder Público. O Estado prefere que um profissional do Direito, concursado, preste essa atividade pública em caráter privado.

Hoje são aproximadamente 6,5 mil serviços notariais no Brasil, divididos entre tabeliães de notas e tabeliães de protesto e títulos. Estes últimos têm atribuição específica para protestar títulos, documentos de dívidas. Os tabeliães de nota trabalham com aquela coisa conhecida como burocracia: autenticação, reconhecimento de firma e escrituras. Ou seja, com a formalização dos negócios jurídicos de qualquer espécie.


Qual a diferença entre os tabeliães antigos e atuais? 
A nova classe, a de tabeliães concursados, passou a agir de forma diferente dos tabeliães do antigo sistema, em que os cartórios eram passados de pai para filho. Antes do sistema de aprovação por concurso, os cartórios eram negociados pelos governadores como moeda do poder. Por conta disso, o notário podia fazer o que quisesse. Ninguém perdia cartório. Hoje, por falhas na execução do serviço, as pessoas têm perdido cartórios. Além da responsabilidade administrativa, tem a responsabilidade civil. São frequentes as ações de indenização por falhas na prestação de serviço notarial e registral. Essa é a realidade do empreendedor notário.